Mãe relata perda do filho e consolo de Deus

Publicado: outubro, 2016

Próximo à data que celebramos o Dia das Mães, escolhemos contar a vocês a história de uma mulher que resume, a partir da sua trajetória, exatamente o sentimento da maternidade: ser capaz de enfrentar tudo pela vida dos filhos. A dona do testemunho é Rosana de Fátima, casada com Edirson Mateus e mãe de três filhos: Rafael Martins, Glaison Freitas e Victor Mateus. Recentemente ela sofreu umas das piores perdas, mas encontrou em Cristo forças para superar o luto.
“Há 15 anos, comecei a frequentar a Igreja Batista da Lagoinha junto com meus filhos. Na época, Glaison, meu filho do meio, tinha 14 anos e havia aceitado Jesus. Ele se batizou e começou a evangelizar na Pedreira Prado Lopes. Meu marido não concordava em vê-lo na Pedreira, pois ele ainda era muito novo, então, apenas eu o apoiava. Aos 15 anos, ele se desviou e começou a se envolver com as drogas, e como pais, não sabíamos que ele estava nesse tipo de situação. Embora o advertíamos sobre o mal das drogas, ele sempre negava o uso. Como leigos no assunto, acreditávamos nele. Quer dizer, na verdade, não queríamos era acreditar naquela realidade. Pensávamos que podia acontecer com qualquer pessoa, menos conosco.

Ele passou a pegar dinheiro escondido, e então redobrei as orações. Somente nesse momento, quando ele estava com 18 anos, nos conscientizamos que ele usava drogas. Fiquei desesperada e me senti ‘sem chão’. Ele estava mais envolvido do que pensávamos. Nessa difícil fase, houve um momento em que ele me disse que devia a um traficante. Como ele corria riscos de vida em ir pagar a conta sozinho, fiz o que toda mãe faz por um filho: peguei minha bolsa, pedi a Deus proteção e levei o dinheiro no lugar dele.

Quando meu filho completou 19 anos, recebi a ajuda de alguns pastores para levá-lo a um centro de recuperação. Após sete dias, ele saiu e voltou a se envolver com más companhias, diante dessa situação, escolhi permanecer em oração. Em uma das noites, comecei a orar por Glaison e adormeci. No meio do sono, o telefone tocou. Atendi a ligação e recebi a notícia que ele estava preso no Detran. Não sabia o que fazer. Comecei a ligar para várias pessoas para ver se alguém podia me ajudar. Mas ninguém podia fazer nada, pois ele havia assumido o crime. Fui vê-lo e fiquei horrorizada com a cena. Meu filho estava jogado ao chão, algemado. [Nesse instante, as palavras de Rosana deram lugar às lágrimas. Após alguns segundos de silêncio, segurando o choro, ela prosseguiu o relato]

“Nunca imaginei que veria meu filho na prisão”

Junto a outro rapaz, Glaison havia cometido, ao mesmo tempo, dois crimes. Eles roubaram um carro, mas como não conseguiram ir longe, roubaram o segundo veículo. Nessa época, ele tinha 20 anos, e foi condenado a oito anos de prisão. Por causa do bom comportamento, a pena foi reduzida a seis anos. Nunca havia entrado em uma cadeia e também não passava pela minha cabeça que um dia veria meu filho na prisão.

Após o decreto do juiz, iniciou minha jornada ao presídio. Não perdia nenhum dos dias que era reservado à visita. O meu marido ficou abalado, por isso compreendi que ele não tinha estrutura para ver o nosso filho na cadeia. O procedimento da revista, que para muitos é desagradável, não era nada diante da cena em ver meu filho atrás das grades. [Sua voz voltou a ficar trêmula. Suas lembranças vieram à tona, e parecia que o seu choro me dizia mais do que suas palavras. Perguntei se ela queria parar por ali. Mas Rosana preferiu continuar a me relatar a história]

Foi um período em que Deus ‘trabalhou’ na minha vida e também na do meu filho. Nos tornamos muito amigos, cúmplices, passamos a ter o verdadeiro amor de Deus. Deus me usava para ajudar muitas outras mães que passavam pela mesma situação que a minha.

Em 2008, o meu filho mais velho casou, mas Glaison continuava preso. Pensei que não teria forças para entrar no casamento. Quando estava parada em frente à igreja no dia do casamento dele, comecei a chorar. Então, meu filho que estava casando olhou para mim e disse: ‘Mãe, não chora, sempre me espelhei na senhora, você é muito forte, vamos entrar juntos’. Enxuguei as lágrimas e entrei. Vi que as mãos de Deus estavam ali me fortalecendo. E durante toda essa dor, percebo como Deus protegeu o Glaison dentro da prisão. O Senhor é sempre bom, verdadeiro e perfeito.
mãe orando

Mesmo com as saídas temporárias do Glaison, ficava ansiosa em vê-lo. Em 2013, o juiz disse que ele não sairia do presídio. Com essa notícia, fiz uma campanha no culto da pastora Alaelcia e todas as vezes que deixava o presídio orava pelos corredores, pedindo a Deus que abrisse aquelas portas para o meu filho sair. Então, no dia 20 de março do ano passado, estava costurando na minha casa, quando ouvi fortes batidas no portão. Antes que eu chegasse para abri-lo, reconheci a voz do meu filho me chamando.

Nova vida

O Glayson deixou a prisão, voltou a frequentar a Lagoinha e se reconciliou com Jesus. Ele quis ir ao Encontro com Deus, mas não tínhamos dinheiro. Ele foi até a pastora Ana Lúcia, da Casa Rosada, e explicou toda a situação. A pastora me ligou para confirmar se o que ele disse era verdade. Depois que confirmei a versão dele, ela pagou o Encontro. No dia da atividade, eu o levei até o ônibus. Fomos só nós dois. Quando ele estava na janela do ônibus prestes a ir embora, tive vontade de tirar uma foto dele. Senti que seria a última fotografia que faria dele, por isso não perdi a oportunidade. Durante os dias que ele esteve no Encontro, fiquei em casa imaginando o que aconteceria e quando aconteceria, então comecei a orar por ele.

Depois de três dias, ele retornou. Chegou do Encontro contando que tinha sido batizado com o Espírito Santo. Em abril de 2014, na quinta-feira, antes do feriado da Semana Santa, ele saiu de casa para pedir perdão para a ex-namorada. Estava no quarto orando, quando escutei o barulho de tiros. Lembrei do Glaison, e sai correndo imediatamente. Quando olhei para a rua, ele estava caído ao chão. Havia sido baleado. Meu vizinho e esposo o levaram para o hospital. Eu me arrumei e esperei alguém para me levar também. Mas não tinha mais jeito. Quando cheguei no hospital, ele já estava morto. [Peguei na mão de Rosana, uma forma de tentar acalmá-la e amenizar a situação. Parecia que ela havia recebido a notícia naquela hora. Ela olhou para mim, mas, forte como é, continuou a história].

Consolo

Ver meu filho no caixão foi muito doloroso. Passei por esse momento totalmente arrasada. Pedia a Deus que me fortalecesse. Depois de alguns dias, fui conhecer a pastora Ana Lúcia e agradecê-la por tudo. Enquanto esperava na recepção da Casa Rosada, recebi um marcador de texto contando todas as atividades do ministério, mas não observei o que estava escrito. Um dia peguei esse marcador de texto na minha Bíblia. No verso estava escrito “ajuda para mulheres que tiveram perdas”. Quando acabei de ler, liguei para a Casa Rosada. A recepcionista disse que eu poderia ir, que alguém me atenderia, e fui com a intenção de desabafar com alguma pastora. Assim que cheguei, havia duas mulheres conversando. Também participei da conversa e contei a minha situação, o porquê estava ali. Elas também compartilharam praticamente a mesma história e me explicaram que começariam um novo ministério, o “Rispa”, para ajudar mães como eu que haviam perdido o filho.

O mistério é maravilhoso e transformador. Conversamos, expomos e compartilhamos a mesma dor. Há reuniões em que só choramos, em outras rimos, tiramos fotos, oramos, louvamos e fazemos leitura da Palavra. Dentro do ministério temos liberdade de expressar a nossa dor. Primeiro Deus, mas o ministério tem ajudado muito na minha caminhada. Hoje já penso em ajudar outras mulheres que passaram pela mesma tristeza que a minha. Agora também consigo agradecer a Deus, pois entendo que tudo foi propósito dEle”.

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